O motorista Jhonatan Murilo Leite, de 22 anos, acusado de causar o acidente que matou quatro policiais militares do Comando de Operações de Divisas (COD) na BR-364, em Cachoeira Alta (GO), será julgado por júri popular. A decisão foi proferida pelo juiz Filipe Luis Peruca, que acatou as provas apresentadas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), concluindo que o acusado assumiu o risco de provocar o acidente, enquadrando-o no crime de homicídio com dolo eventual, previsto no Código Penal Brasileiro.
O acidente ocorreu no dia 24 de abril de 2024, quando um caminhão carregado com 70 toneladas de milho colidiu frontalmente com a viatura policial que trafegava no sentido oposto. Os quatro policiais morreram no local.
Além do homicídio doloso, o motorista também responderá por remoção de veículo involuntariamente envolvido em acidente com vítima, infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Três pontos cruciais em debate
A decisão judicial destacou três aspectos centrais da investigação:
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Velocidade dos veículos envolvidos: Não foi possível determinar a velocidade exata da viatura. Já em relação ao caminhão, existem versões divergentes, o que será analisado pelos jurados.
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Excesso de carga: A perícia apontou que o veículo estava com carga significativa, o que pode ter contribuído para a perda de controle.
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Invasão de pista contrária: Uma reprodução simulada no local confirmou que o caminhão invadiu a pista em que trafegava a viatura do COD, reforçando a responsabilidade do motorista.
O caso ganhou repercussão nacional e teve uma reviravolta em setembro de 2024, quando foi descoberto que o homem que inicialmente assumiu a culpa, Diego Michael Cardoso, não era o verdadeiro condutor do caminhão. Através de depoimentos de testemunhas e imagens do local, a polícia identificou que Jhonatan Murilo, funcionário de Diego, era quem estava ao volante — sem possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A descoberta levou à libertação de Diego e ao indiciamento de Jhonatan, que havia se mantido em silêncio até então.
Em nota, a defesa de Jhonatan Murilo alegou que ele não agiu com indiferença e que não tinha intenção de provocar o acidente, ressaltando que sua própria vida também estava em risco. Os advogados informaram que vão recorrer da decisão que o levou ao júri popular.
A defesa de Diego Michael ainda não se manifestou sobre o caso.

