O Impostômetro, painel digital mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), atingiu neste mês a marca de R$ 1,5 trilhão em arrecadação no Brasil em 2025. O número foi alcançado mais cedo do que no ano passado, escancarando a aceleração da carga tributária sobre cidadãos e empresas.
O painel, instalado no centro de São Paulo e atualizado em tempo real, contabiliza o total de impostos, contribuições, taxas e tributos recolhidos pelas esferas federal, estadual e municipal. Os dados são baseados em informações de órgãos como Receita Federal, Tesouro Nacional, IBGE e Caixa Econômica Federal.
O valor arrecadado inclui tributos como IR, IPI, IOF, CSLL, Cofins, PIS/Pasep, Cide, Previdência e FGTS, entre outros. Para se ter ideia do peso no cotidiano, o brasileiro trabalhou em média 150 dias em 2024 só para pagar impostos, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Em 2025, a tendência é que o tempo seja ainda maior.
Concentração e contraste
São Paulo lidera como o estado que mais contribui para o bolo tributário nacional, com 37,3% do total arrecadado, seguido por Rio de Janeiro (13,7%) e Minas Gerais (7%). Juntos, os três estados representam quase 60% da arrecadação, reflexo da concentração de atividade econômica no Sudeste.
Apesar da alta arrecadação, a percepção de retorno é baixa. “Pagamos muito, mas não vemos isso em estradas, hospitais ou segurança”, afirma Leonardo Alves, economista da ACSP. A sensação é reforçada por indicadores internacionais: em 2023, o Brasil ficou em 14º lugar entre os países que mais arrecadam impostos, segundo a OCDE, mas em 54º no ranking de retorno em serviços públicos, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.
Reforma tributária emperrada
O número recorde reacende o debate sobre a reforma tributária, que avança lentamente no Congresso. A proposta aprovada no Senado em 2023 — que prevê a unificação de impostos em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) — ainda precisa ser regulamentada, o que não deve ocorrer antes de 2026.
Enquanto isso, o brasileiro continua pagando caro para financiar um Estado que, segundo especialistas, é ineficiente e desequilibrado. “É necessário rever o pacto federativo, reduzir desperdícios e investir em gestão”, diz a tributarista Ana Carolina Monteiro.
R$ 1,5 trilhão em perspectiva
O montante arrecadado até agora seria suficiente para bancar 27 vezes o orçamento anual do Bolsa Família (cerca de R$ 55 bilhões), construir 15 mil hospitais de médio porte ou ainda zerar o déficit primário previsto para 2025. Se aplicado na poupança, o valor renderia R$ 293 milhões por dia.
A questão, porém, permanece: para onde vai todo esse dinheiro? E mais importante — quando o contribuinte sentirá no dia a dia que o retorno vale o imposto pago? A resposta, por enquanto, parece tão distante quanto os próximos trilhões no marcador do Impostômetro.

