O senador Carlos Viana (Podemos-MG) alertou nesta terça-feira (31) que o Congresso dos Estados Unidos deve aprovar, nos próximos 90 dias, uma lei impondo sanções automáticas a países que mantêm comércio relevante com a Rússia, especialmente em setores estratégicos como petróleo e fertilizantes. A medida, segundo ele, não dependerá de decreto presidencial, mas será de iniciativa bipartidária no Legislativo americano.
“Será uma decisão do Congresso americano, e não apenas do presidente. Estamos avisando a política externa brasileira de que algo poderá nos atingir com muito mais força nos próximos 90 dias”, disse Viana, durante participação no Jornal da Manhã, em transmissão feita de Washington.
O parlamentar integra a missão de senadores brasileiros aos EUA, que busca reduzir os impactos do “tarifaço” de 50% imposto pelo governo de Donald Trump a exportações brasileiras e evitar novas retaliações comerciais. Segundo Viana, setores como café e grãos podem ser poupados, mas fertilizantes e combustíveis russos devem ser o foco das sanções.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Marcos Pontes (PL-SP) também participam das negociações. Eles afirmam que o Brasil precisa oferecer mais do que pedidos de isenção de tarifas, retomando uma agenda de parceria estratégica com os EUA, suspensa há pelo menos três anos.
Movimento indiano sinaliza risco para o Brasil
Enquanto o alerta chega à diplomacia brasileira, a Índia, terceira maior importadora mundial de petróleo, suspendeu temporariamente as compras de petróleo russo por suas refinarias estatais na última semana, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Empresas como Indian Oil Corporation (IOC), Hindustan Petroleum (HPCL), Bharat Petroleum (BPCL) e Mangalore Refinery (MRPL) interromperam pedidos de novos carregamentos. O recuo ocorreu por dois fatores:
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Descontos russos em queda, os menores desde 2022;
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Pressão direta de Washington, com ameaça de tarifas secundárias de até 100% para países que continuem importando petróleo de Moscou se não houver acordo de paz na Ucrânia até 8 de agosto.
As estatais indianas detêm mais de 60% da capacidade de refino do país (5,2 milhões de barris/dia), mas responderam por menos de 40% das importações russas no 1º semestre de 2025. A fatia restante ficou com refinarias privadas, como a Reliance e a Nayara Energy, esta última parcialmente controlada pela russa Rosneft.
Repercussão para o Brasil
A experiência indiana serve de sinal de alerta para o Brasil, que depende do petróleo e dos fertilizantes russos para seu agronegócio. Caso o Congresso dos EUA avance com uma lei de sanções secundárias, exportadores brasileiros podem sofrer tarifas adicionais ou restrições comerciais, ampliando os impactos já sentidos com o tarifaço de Trump.
“O Brasil precisa agir com antecedência e construir consenso com os americanos, ou sofreremos impactos maiores que os vistos nas tarifas atuais”, reforçou Viana.
Com o ambiente internacional se tornando mais restritivo, diplomatas e empresários brasileiros avaliam que uma reaproximação estratégica com Washington será essencial para proteger cadeias produtivas e evitar prejuízos ao agronegócio e à balança comercial.

