A Caderneta de Poupança registrou saída líquida de R$ 49,6 bilhões no primeiro semestre de 2025, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (07/07) pelo Banco Central (BC). É o pior resultado para o período desde 2023, quando os saques superaram os depósitos em R$ 66,6 bilhões.
Entre janeiro e junho deste ano, os brasileiros depositaram R$ 2,078 trilhões, mas retiraram R$ 2,129 trilhões. O saldo negativo reflete a crescente pressão sobre o orçamento das famílias, em meio à inflação persistente, aumento do custo de vida e juros ainda elevados.
Renda apertada e consumo contido
Especialistas avaliam que o esvaziamento da poupança indica a dificuldade da população em equilibrar as contas do mês. Com a renda corroída, muitos brasileiros têm recorrido às reservas guardadas para quitar dívidas, cobrir despesas do dia a dia ou enfrentar imprevistos.
“A poupança acaba funcionando como uma espécie de colchão financeiro. Quando as famílias precisam, é o primeiro recurso a ser utilizado”, explica Juliana Andrade, economista da Tendências Consultoria.
Além disso, a rentabilidade da poupança segue relativamente baixa, sobretudo num cenário de taxa Selic ainda em dois dígitos, o que faz muitos investidores migrarem para aplicações mais rentáveis.
Comparação com anos anteriores
Em 2023, a poupança também amargou um cenário negativo, acumulando retirada líquida recorde de R$ 87,8 bilhões no ano, embora concentrada principalmente no primeiro semestre. Em 2022, a fuga líquida chegou a R$ 103,2 bilhões — o maior volume já registrado na série histórica do BC, iniciada em 1995.
Mesmo assim, a poupança segue sendo o investimento preferido da maior parte da população, sobretudo pela segurança, isenção de imposto de renda e facilidade de acesso.
Perspectivas para o segundo semestre
O Banco Central mantém expectativa de leve melhora nos indicadores econômicos para o segundo semestre, à medida que a inflação cede gradualmente. No entanto, a alta do desemprego no início do ano e a inadimplência elevada continuam sendo fatores de risco para a recuperação do volume de depósitos na poupança.
A poupança, que soma atualmente cerca de R$ 1,03 trilhão em saldo total, continua sendo o principal instrumento de reserva financeira de pessoas físicas no país, apesar da migração de parte dos recursos para alternativas como CDBs, fundos DI e Tesouro Direto.
“Enquanto a renda real das famílias não tiver recuperação mais sólida, vamos seguir vendo retiradas líquidas na poupança”, alerta Juliana.
Dados adicionais sobre a poupança
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Rentabilidade atual: 6,17% ao ano + TR, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.
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Saldo total: Aproximadamente R$ 1,03 trilhão em depósitos.
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Número de contas: Cerca de 118 milhões de contas de poupança no país.

