Porto Velho (RO), 6 de agosto de 2025 – A recusa do senador Confúcio Moura (MDB‑RO) em assinar o pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes ratificou sua posição política singular — tanto na bancada rondoniense quanto no contexto nacional.
Enquanto os senadores Marcos Rogério e Jaime Bagattoli (ambos do PL) se juntaram à ala conservadora para criticar o que chamam de “ativismo judicial” de Moraes, Moura permaneceu em silêncio, uma decisão que reforça sua trajetória de moderação e equilíbrio institucional.
Alinhamento com o governo federal
A ausência de Confúcio nessa mobilização é coerente com seu apoio frequente ao governo Lula. Desde o início deste mandato, ele tem atuado como interlocutor da base aliada, sendo um aliado estratégico em votações econômicas, sociais e políticas.
Em janeiro de 2024, Moura declarou com convicção: “Não me sinto em condição de ser oposição ao Presidente” ao reafirmar sua disposição em garantir recursos federais para Rondônia. Além disso, colocou o MDB como um “ponto de equilíbrio” político em meio à polarização crescente, declarando-se de centro-esquerda e alinhado à base governista.
O único aliado de Lula em Rondônia
Em um estado dominado por conservadorismo — com os outros dois senadores da bancada defendendo pautas da direita — Moura se destaca como o único aliado declarado do governo federal. Esse posicionamento reforça sua articulação direta com o Planalto e sua capacidade de viabilizar recursos para o estado.
Sua postura tem gerado disputas internas dentro do MDB local, com lideranças mais conservadoras divergindo de seu alinhamento com o PT. Ainda assim, Moura segue resistente às pressões, afirmando que sua posição não representa uma ruptura ideológica, mas uma coerência com suas convicções humanistas.
Repercussões políticas
A opção por distanciar-se da ofensiva contra Moraes reforça o perfil de Confúcio como um senador de centro, preocupado com a estabilidade institucional. Embora possa enfrentar resistências do eleitorado conservador, sua atuação o consolida como um canal de interlocução eficaz entre Rondônia e o poder central.
À medida que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026, sua postura pragmática e de consensos, aliada ao histórico de governança e articulação, pode ser determinante tanto para redefinir rumos dentro do MDB local quanto para fortalecer seu capital político para eventuais disputas futuras.

