12.1 C
Rio Grande do Sul
quinta-feira, abril 30, 2026
HomeBrasil e MundoExportações de terras raras disparam e acendem alerta na indústria automotiva brasileira...

Exportações de terras raras disparam e acendem alerta na indústria automotiva brasileira diante de avanço da China  

O Brasil mais que triplicou suas exportações de terras raras para a China no primeiro semestre de 2025, atingindo US$ 6,7 milhões, conforme dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Embora ainda representem uma fatia modesta dos US$ 47,7 bilhões exportados ao país asiático neste período, o salto no comércio do insumo acende o sinal de alerta em um setor estratégico e em transformação: a indústria automotiva.

As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais à fabricação de ímãs permanentes, são fundamentais para setores como veículos elétricos, turbinas eólicas, armamentos e eletrônicos de ponta. A China domina entre 60% e 70% da produção global desses minerais, o que lhe garante forte influência geopolítica, especialmente sobre os Estados Unidos — que têm buscado reduzir sua dependência do regime de Pequim.

Em 2024, os EUA chegaram a impor restrições à exportação de chips de inteligência artificial da Nvidia para a China, o que foi contrabalançado com ameaças chinesas de restringir o fornecimento de terras raras — recurso crítico para as cadeias produtivas de semicondutores e carros elétricos. Nesse contexto, o aumento da participação brasileira como fornecedor chama atenção tanto como oportunidade econômica, quanto como risco estratégico de dependência.


Toyota fecha fábrica em SP e setor automotivo pressiona governo contra incentivos à BYD

Enquanto o Brasil amplia sua presença na cadeia global das terras raras — com potencial de se tornar um player relevante —, o setor automotivo nacional enfrenta um momento delicado.

A Toyota confirmou o fechamento de sua fábrica em Indaiatuba (SP), onde produz o Corolla sedã, até o final de 2026. O encerramento de atividades afetará 1,5 mil funcionários. A produção será transferida para Sorocaba, onde a empresa investe em uma expansão dentro de um plano de R$ 11 bilhões até 2030 para desenvolver veículos eletrificados, como o Yaris Cross híbrido, além da van Hiace e uma versão híbrida do Corolla de entrada (GLI).

Simultaneamente, os principais CEOs do setor automotivo — da Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors — enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se posicionar contra o pedido da chinesa BYD de reduzir impostos sobre veículos desmontados (CKD/SKD). O pleito será discutido nesta quarta-feira (30) na Câmara de Comércio Exterior (Camex).

A redução das alíquotas de 20% para 10% (híbridos) e de 18% para 5% (elétricos), segundo as montadoras, coloca em risco R$ 180 bilhões em investimentos planejados até o fim da década — e pode causar desemprego em massa, desindustrialização e desequilíbrio na balança comercial. Para o setor, esse incentivo abriria caminho para uma “industrialização simulada” baseada em montagem final, sem real transferência de tecnologia ou geração de empregos.


Disputa se intensifica em meio à transição para veículos elétricos

A tensão entre montadoras tradicionais e empresas chinesas como a BYD cresce na medida em que o Brasil entra na corrida global pela eletrificação automotiva. O país, que possui vantagens naturais — como a matriz energética limpa e reservas de minerais estratégicos (como terras raras e lítio) —, ainda precisa definir que tipo de modelo industrial deseja adotar.

Enquanto isso, a China segue investindo em verticalização e domínio da cadeia de suprimentos, consolidando sua liderança em tecnologias verdes e tornando-se, ao mesmo tempo, parceira comercial e concorrente direta dos setores tradicionais da indústria brasileira.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -[banner group='banner-pagina-interna-250x250']

Mais populares