Porto Velho (RO) – Rondônia ocupa atualmente a última posição no ranking da oferta aérea no Brasil. Segundo levantamento da empresa global de análise de turismo ForwardKeys, divulgado pelo portal PanRotas, o estado registrou a maior retração do país em uma década: de 6.017 voos domésticos em 2015 para apenas 2.650 em 2025, uma queda de 56%. Na quantidade de assentos, a redução também é drástica: de 788.158 para 421.626, ou seja, 46,5% a menos.
O cenário vai na contramão da tendência nacional. O Brasil, em 2025, contabiliza 784.696 voos e 126,5 milhões de assentos, praticamente mantendo o patamar de 2015 (128,5 milhões). A diferença é que, mesmo com número de voos estável, as companhias passaram a usar aeronaves maiores, compensando a oferta.
Norte dividido: Acre e Roraima avançam, Rondônia retrocede
Enquanto Rondônia despenca, vizinhos da Região Norte apresentaram crescimento. O Acre registrou aumento de 7,1% nos assentos, com 23,6 mil a mais em dez anos. Já Roraima avançou 16% no mesmo período. O contraste com Rondônia é gritante: a diferença entre o crescimento de Alagoas (+47,4%) e a retração rondoniense (−46,5%) chega a 94 pontos percentuais.
Impactos diretos na população
Para especialistas e entidades, a redução na malha aérea traz consequências imediatas: passagens mais caras, menos opções de horários e aumento do tempo de deslocamento, já que muitos passageiros precisam recorrer a conexões em outros estados.
“Não estamos diante de uma simples flutuação de mercado. O que ocorre em Rondônia é resultado de escolhas deliberadas das empresas de aviação, que decidiram cortar voos justamente aqui. Rondônia foi colocada de lado, e todos nós sentimos isso na pele”, avaliou Carlos Eduardo Macedo, estudante de Direito e voluntário do Instituto de Defesa da Coletividade Escudo Coletivo.
O presidente da entidade, Gabriel Tomasete, foi ainda mais enfático:
“Rondônia não é destino de segunda classe. Com o Brasil reequilibrado em assentos e Rondônia no fundo do poço, estamos diante de um caso de exclusão que exige resposta firme das autoridades.”
Próximos passos
O Escudo Coletivo anunciou que vai encaminhar o comparativo a órgãos de controle e ao Judiciário, solicitando metas mínimas de oferta de voos, transparência de custos, cronograma de recomposição da malha aérea e fiscalização ativa por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Enquanto isso, passageiros rondonienses seguem enfrentando um dos cenários mais críticos do país no setor aéreo, o que reforça o debate sobre desigualdade regional e o papel das companhias na integração nacional.

