A Polícia Federal cumpriu, na noite desta quarta-feira (20), um mandado de busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da PET nº 14129, e resultou na apreensão de celulares do religioso, um dos aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a decisão, a operação tem como objetivo resguardar provas em inquérito que investiga uma suposta tentativa de obstrução da Justiça envolvendo aliados do ex-presidente. Malafaia desembarcava de um voo de Lisboa quando foi abordado por agentes federais e conduzido para prestar depoimento nas dependências do aeroporto.
Restrições impostas
Além da apreensão dos aparelhos, Moraes determinou:
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proibição de saída do país;
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cancelamento de todos os passaportes, que devem ser entregues à PF em até 24 horas;
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restrição de contato com outros investigados, entre eles Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, e o blogueiro Paulo Figueiredo.
O Ministério das Relações Exteriores também foi comunicado para impedir qualquer tentativa de saída do Brasil, inclusive por fronteiras terrestres.
Malafaia e Bolsonaro
Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia se tornou um dos principais organizadores de atos em apoio ao ex-presidente Bolsonaro. Nos últimos anos, ganhou ainda mais destaque por mobilizar setores religiosos em defesa do ex-mandatário, inclusive em manifestações realizadas em Brasília e São Paulo.
Ele já vinha sendo citado em investigações relacionadas ao suposto plano para obstruir o julgamento de Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Contexto político e jurídico
A operação contra Malafaia ocorre em um momento de forte tensão entre o STF e setores do bolsonarismo. Moraes tem sido o relator dos principais processos relacionados aos atos antidemocráticos e à tentativa de golpe, conduzindo medidas que atingem políticos, empresários e influenciadores ligados ao ex-presidente.
A decisão desta quarta-feira reforça a linha dura adotada pelo Supremo na condução das investigações e representa um novo revés para a rede de aliados de Bolsonaro.
Próximos passos
Malafaia deve permanecer em território nacional e terá que se apresentar às autoridades sempre que solicitado. A investigação continua em sigilo, mas fontes jurídicas indicam que o material apreendido pode fornecer indícios sobre estratégias de articulação política e comunicação usadas por aliados de Bolsonaro para pressionar o Judiciário.

