15.4 C
Rio Grande do Sul
segunda-feira, abril 20, 2026
HomeBrasil e MundoDenúncia da Civilization Works acusa Moraes de usar TSE para investigar dados...

Denúncia da Civilization Works acusa Moraes de usar TSE para investigar dados sem autorização legal e violar a LGPD


Em uma publicação da organização estadunidense Civilization Works, freelance voltada à defesa da civilização liberal-democrática, é feita uma denúncia grave contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF: ele teria violado a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao conduzir uma investigação não autorizada sobre os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, utilizando servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fins de apuração paralela.


⚖️ O que diz a denúncia

De acordo com a Civilization Works, mensagens vazadas mostram o ex-assessor de Moraes no TSE, Eduardo Tagliaferro, em contato com auxiliares do ministro, como a chefe de gabinete Cristina Kusuhara, indicando que se organizava um esforço informal para acessar dados pessoais dos investigados sem base legal. A denúncia aponta:

  • uso da AEED (Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação) do TSE como estrutura paralela para investigação criminal, fora dos trâmites legais;

  • acesso não autorizado ao sistema GestBio, que armazena dados biométricos dos eleitores, para identificar manifestantes;

  • geração de relatórios internos com essas informações, sem que fossem incluídos nos autos ou compartilhados com as defesas. 

Segundo o texto, esses dados nunca foram formalmente solicitados pelo Ministério Público, por autoridades policiais, ou autorizados por decisão judicial, o que contraria dispositivos da LGPD e procedimentos legais de investigação criminal.


🕵️ Contexto e implicações legais

Monitoramento informal no TSE

Reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que Moraes teria encomendado relatórios informais à AEED do TSE para embasar medidas judiciais no Supremo. Em alguns casos, os textos eram alterados conforme orientação direta de assessores, como o juiz Airton Vieira, que solicitava ajustes de conteúdo alinhados às expectativas do gabinete do ministro. 

Quebra de sigilo polêmico

No inquérito aberto por Moraes sobre o vazamento das mensagens, a PF analisou conversas entre Tagliaferro e seu advogado, autorizadas pelo ministro. Essa ação foi alvo de críticas da OAB, que classificou como “inadmissível” a quebra do sigilo advogado‑cliente sem decisão judicial específica. 

O ex-assessor, indiciado por violação de sigilo funcional com dano à administração pública, negou o vazamento, e a Polícia Federal concluiu que não havia indícios de conluio com o advogado. 


🔍 Audiência pública no Senado

Em abril de 2025, o senador Eduardo Girão (NOVO‑CE) apresentou requerimento aprovado pela Comissão de Segurança Pública do Senado para realização de audiência pública sobre o caso. Foram convidados Moraes, Tagliaferro, auxiliares, além de jornalistas como Glenn Greenwald e Sérgio Tavares, que tiveram participação na divulgação das mensagens.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -[banner group='banner-pagina-interna-250x250']

Mais populares