Porto Velho (RO), 9 de setembro de 2025 – A Justiça de Rondônia condenou no último dia 31 de agosto o homem apontado como líder de uma organização criminosa interestadual especializada em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e porte ilegal de armas. Conhecido pelo codinome “Patrão Maike”, o réu recebeu 30 anos e 2 meses de reclusão em regime fechado, além de 1 ano e 3 meses de detenção e multa de mais de R$ 87 mil.
A decisão foi proferida pela 1ª Vara de Tóxicos de Porto Velho no âmbito da Operação Náufrago, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de Rondônia. Outro acusado também foi condenado por lavagem de dinheiro a 3 anos e 6 meses de prisão, substituídos por penas alternativas, e multa de R$ 550.
Como funcionava o esquema
As investigações tiveram início em 2021, após a Polícia Rodoviária Federal apreender 400 quilos de cocaína em um caminhão na BR-364. A quebra do sigilo telefônico do motorista revelou uma rede criminosa estruturada, comandada por “Patrão Maike”.
De acordo com a denúncia, o grupo utilizava empresas de fachada em São Paulo e Manaus para armazenar e despachar drogas, além de movimentar recursos ilícitos. A logística incluía transporte interestadual de cargas ocultas, escolta armada, uso de contas bancárias em nome de terceiros e a compra de imóveis e veículos de luxo para dissimular os lucros do tráfico.
Outros réus já haviam sido julgados
O processo principal reunia 20 acusados, mas foi desmembrado devido a réus não localizados. Em uma decisão anterior, a Justiça já havia condenado 11 integrantes da organização criminosa, com penas que variaram entre 4 anos e 10 meses e 24 anos e 6 meses de reclusão. Outros 8 réus foram absolvidos por falta de provas.
Na sentença mais recente, foram julgados os dois últimos réus do caso (autos nº 7057584-74.2024.8.22.0001). O processo agora segue para o Tribunal de Justiça de Rondônia, que deve analisar os recursos das defesas e do Ministério Público.
Combate ao crime organizado
Para o Ministério Público, a condenação representa um passo importante no enfrentamento ao crime organizado no estado, que tem usado rotas terrestres da BR-364 para escoar drogas para outros estados e até países vizinhos.

