Kunar e Nangarhar, Afeganistão, 1º de setembro de 2025 – Um forte terremoto de 6 graus de magnitude, seguido por cinco tremores secundários, atingiu o leste do Afeganistão neste domingo (31/8), deixando mais de 800 mortos e cerca de 2.700 feridos, segundo autoridades locais.
O epicentro foi registrado a apenas 8 km de profundidade, a 27 km de Jalalabad, capital da província de Nangarhar, na fronteira com Kunar, informou o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS).
O impacto mais severo ocorreu em Kunar, onde o governo talibã contabilizou 800 mortos e 2.500 feridos. Na província vizinha de Nangarhar, 12 pessoas morreram e 255 ficaram feridas. As autoridades alertam que o número de vítimas deve subir à medida que equipes de resgate alcançam áreas remotas, e classificaram os danos como “muito significativos”.
“Nunca vivemos nada parecido. Foi assustador, as crianças e as mulheres gritavam”, declarou Ijaz Ulhaq Yaad, funcionário da administração do distrito de Nourgal, em Kunar. Ele destacou que muitas das famílias atingidas haviam retornado recentemente do exílio no Paquistão e no Irã, e estavam reconstruindo suas casas na região agrícola próxima à fronteira.
O governo talibã enviou helicópteros de resgate para apoiar as operações, mas a situação humanitária é agravada pela escassez de recursos após décadas de conflito e a redução da ajuda internacional desde o retorno dos talibãs ao poder.
O Afeganistão está localizado na região da cadeia montanhosa de Hindu Kush, próxima ao encontro das placas tectônicas eurasiática e indiana, tornando o país suscetível a tremores frequentes. Este é o segundo grande desastre natural em poucos anos: em 2023, um terremoto em Herat deixou mais de 1.500 mortos e destruiu 63 mil casas.
O terremoto de domingo foi especialmente violento, e um dos tremores secundários atingiu 5,2 graus de magnitude. Além disso, Nangarhar enfrentou recentemente inundações que mataram cinco pessoas e destruíram colheitas.
Especialistas alertam que a capacidade de resposta do país está comprometida pela pobreza, falta de infraestrutura e conflitos contínuos, aumentando o risco de desastres humanitários em regiões vulneráveis.

